A síndrome de aneuploidia variegada em mosaico (MVA) é uma condição rara caracterizada pela presença de células com número anormal de cromossomos (aneuploidia), coexistindo com células normais, configurando mosaicismo. As alterações incluem principalmente trissomias e monossomias, variando entre as células, o que justifica o termo “variegada”. Em geral, pelo menos 25% das células apresentam aneuploidia. A MVA está associada a mutações nos genes BUB1B (tipo 1), CEP57 (tipo 2) e TRIP13, embora nem todos os pacientes apresentem alterações nesses genes.

As proteínas codificadas por esses genes participam da separação correta dos cromossomos durante a divisão celular, atuando nos microtúbulos do fuso e nos mecanismos de controle que evitam erros. Mutações em BUB1B e TRIP13 prejudicam esse controle, permitindo que a célula se divida mesmo com cromossomos mal distribuídos, o que leva à aneuploidia e possivelmente a maior risco de câncer. Já mutações em CEP57 afetam a organização do fuso, também causando erros na separação dos cromossomos, mas sem associação clara com aumento do risco de câncer.

Todos os tipos da síndrome de MVA têm herança autossômica recessiva, ou seja, é necessário que as duas cópias dos genes BUB1B, CEP57 ou TRIP13 estejam alteradas. Os pais geralmente são portadores de uma única cópia mutada e, na maioria das vezes, não apresentam sinais ou sintomas.

Sintomas

Na síndrome de aneuploidia variegada em mosaico, é comum haver restrição de crescimento intrauterino, com crescimento lento também após o nascimento, resultando em baixa estatura e microcefalia. Há ainda aumento do risco de câncer na infância, principalmente rabdomiossarcoma, tumor de Wilms e leucemia.

Menos frequentemente, podem ocorrer alterações oculares, características faciais como ponte nasal larga e orelhas de implantação baixa, além de alterações cerebrais como a malformação de Dandy-Walker. Também podem estar presentes deficiência intelectual, convulsões e outros problemas de saúde.

Diagnóstico

O diagnóstico da síndrome de aneuploidia variegada em mosaico é baseado na análise citogenética, que demonstra a presença de aneuploidia variável entre as células.

Tratamento

O manejo da síndrome de aneuploidia variegada em mosaico é individualizado, de acordo com as necessidades de cada paciente, podendo incluir, por exemplo, uso de hormônio de crescimento nos casos de baixa estatura. Pacientes com diagnóstico citogenético confirmado e/ou mutações no gene BUB1B devem realizar rastreamento para tumor de Wilms com ultrassonografia renal a cada três a quatro meses até os cinco anos de idade.

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